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domingo, 10 de junho de 2012

Massacre de Lídice completa 70 anos

Cidade da Tchecoslováquia que deu origem ao nome foi palco de uma dos mais perversos crimes contra a humanidade



Há exatos 70 anos, no dia 10 de junho de 1942, foi cometido um dos maiores crimes contra a humanidade. Com o objetivo de vingar a morte de um único homem, o oficial nazista Reinhard Heydrich, o ditador Adolf Hitler mandou agentes da Gestapo e da SS invadir uma cidade, matar todos os seus homens, arrastar todas as mulheres e crianças para campos de concentração, destruir todas as edificações.
Hitler mandou remover de todos os mapas o nome que seria mais tarde resgatado como símbolo de resistência ao ódio: Lídice deixou de existir enquanto pequeno enclave no coração da antiga Tchecoslováquia e passou a denominar ruas, cidades, monumentos espalhados por todo o mundo. No Brasil um vilarejo do Rio de Janeiro, até então chamado Santo Antônio do Capivari, adotou em 1944 o nome Lídice.
Pela mesma razão, muitas mulheres nascidas no pós-guerra receberam este nome, caso da primeira senadora da Bahia, Lídice da Mata. “Meu pai, Aurelio Souza, era um defensor das liberdades democráticas, e como tantos outros atendeu ao chamado de homenagear os heróis e heroínas da Segunda Guerra Mundial”, explicou a senadora, que dedicou à inspiração de seu nome um artigo escrito para o jornal A Tarde a ser publicado na edição do dia 11 de junho.
Na próxima quinta-feira, 14, a senadora participa de um debate com o Senador Cristóvão Buarque, no Museu Nacional do Conjunto Cultural da República, como parte da “Homenagem às vítimas de Lídice”, evento organizado pela Embaixada da República Tcheca, a Secretaria de Cultura do Distrito Federal e a Universidade de Brasília.
“Para mim representa satisfação, alegria orgulho ter este nome com uma representação política e histórica tão grande, vinculada à liberdade. Eu tenho a sorte de ter o nome Lídice e ter nascido na outra cidade heróica dos brasileiros e dos baianos, que é Cachoeira. Isso me estimula muito na vida e na política a defender a causa das liberdades”, declarou a senadora, em vídeo-depoimento que pode ser conferido abaixo:




A História – Em 27 de maio de 1942, quando viajava em seu carro para Praga, Reinhard Heydrich foi atacado por agentes tchecos que tinham sido treinados na Inglaterra, num dos mais audaciosos ataques da Segunda Guerra, denominado Operação Antropóide.
Escolhido por Hitler para governador da Tchecoslováquia ocupada (Reichsprotektor), e segundo homem no comando das SS*, Heydrich foi levado vivo para Praga, tratado por médicos alemães, mas morreu de septecemia, face aos ferimentos recebidos, no dia 04 de junho.
Depois de chamá-lo de “o homem com o coração de ferro” em um funeral com honras militares, Hitler ordenou uma pesada vingança iniciada com a caça e o assassinato de agentes tchecos, membros da resistência, e qualquer um suspeito de estar envolvido na morte de Heydrich, totalizando mais de 1000 pessoas. Além disso, 3000 judeus foram deportados do gueto de Theresienstadt para o extermínio. Em Berlim, 500 judeus foram presos, com 152 executados em represália no dia da morte de Heydrich.
No dia 10 de junho, em um dos atos mais infames da Segunda Guerra Mundial, a aldeia de Lídice foi cercada e todos os 172 homens e meninos com idade acima de 16 da aldeia foram mortos. Mulheres e crianças foram presas e levadas para trabalhos forçados e o extermínio nos campos de concentração de Ravensbrück e Gneisenau, onde a grande maioria morreu.
A aldeia de Lídice foi então destruída com explosivos, e, em seguida, completamente nivelada. Não sobrou uma parede em pé, não permaneceu nenhum traço da antiga aldeia.
Em 18 de Junho de 1942, os três resistentes tchecos que eliminarm Heydrich foram encurralados na cripta de uma igreja ortodoxa, em Praga, e após um duro combate mortos. A República Tcheca só foi libertada em Maio de 1945, pelo Exército Soviético.

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